terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Sistema Escravocrata no Brasil




O intuito deste Blog é relatar como ocorreu a Escravidão no Brasil e no  Mundo, conhecer seus fatores originários, evolução e rituais. Iniciaremos nossos pensamentos em compreender como se deu a escravidão aqui em nosso país.
O latifúndio monocultor no Brasil exigia uma mão-de-obra permanente, trabalhadores que aqui residissem e realizassem todos os trabalhos de exploração da colônia.Para os Portugueses seria inviável a utilização de outros portugueses assalariados, pois a intenção não era vir para trabalhar, e sim para se enriquecer no Brasil, havia também um segundo motivo, o de que sistema capitalista ainda estava surgindo, criando forças e não tinha como pagar salários para milhares de trabalhadores.
Os primeiros a serem escravizados foram os indígenas, obrigados a fazer todos os trabalhos extrativistas e canaviais, mas esta condição não estendeu- se por muito tempo,
houveram muitos problemas, como a inaptidão do índio ao novo ritmo de vida na condição de escravo, as várias doenças trazidas pelos portugueses que os contaminavam
e resultavam numa alta taxa de mortalidade e também a grande e violenta reação dos povos nativos em lutas armadas, fugas ou até mesmo homicídios como reação de resistência. Existiam também os Jesuítas que estavam realizando catequese e eram contrário a escravidão do índio.A História verdadeira mostra que a reação do nativo foi tão marcante, que tornou-se uma ameaça perigosa para certas capitanias como Espírito Santo e Maranhão.
Todos esses acontecimentos dificultaram a economia colonial, levando os portugueses a tomarem medidas de resolução, modificar a mão- de-obra foi o que solucionou o caso,
substituiu - se o índio pelo africano, já bastante comercilizado pelos navios negueiros que capturavam negros, sendo eles de dois grupos originários importantes: Os bantos, vindos da África equatorial e tropical provenientes do Congo, Guiné e Angola, e também os sudaneses, vindos da África ocidental, Sudão e norte da Guiné. Para os portugueses, o tráfico negreiro não era novidade, pois desde meados do século XV , o comércio de escravos era regular em Portugal, sendo que durante o reinado de D. João II o tráfico negreiro foi institucionalizado com a ação direta do Estado português, que cobrava taxas e limitava a participação de particulares, atividade que trazia imensos lucros e por isso logo expandiu - se, tornando uma das principais fontes de acumulação de riquezas para a metrópole.
Desta forma ocorria exatamente o contrário da escravidão indígena, já que os lucros com o comércio dos nativos não favoreceram ao desenvolvimento econômico almejado no momento, assim podemos notar o ponto de vista defendido pelo historiador Fernando Novais, de que "o tráfico explica a escravidão", e não o contrário.
A base econômica do Brasil colônia e também mundial centraliza- se na mão-de-obra do negro, que é submetido a condição de mercadoria, onde castigos corporais eram comuns, permitidos por lei e com a permissão da Igreja. As Ordenações Filipinas sancionam a morte e mutilação dos negros como também o açoite. Segundo um regimento de 1633 o castigo é realizado por etapas: depois de bem açoitado, o senhor mandará picar o escravo com navalha ou faca que corte bem e dar-lhe com sal, sumo de limão e urina e o meterá alguns dias na corrente, e sendo fêmea, será açoitada à guisa de baioneta dentro de casa com o mesmo açoite. Outros castigos também são utilizados: retalhamento dos fundilhos com faca e cauterização das fendas com cera quente; chicote em tripas de couro duro; a palmatória, uma argola de madeira parecida com uma mão para golpear as mãos dos escravos; o pelourinho, onde se dá o açoite: o escravo fica com as mãos presas ao alto e recebe lombadas de acordo com a infração cometida
A situação provocou revoltas de indignação à todos escravos, havendo inúmeras reações como: fugas isoladas, suicídios, "banzo" nostalgia que fazia o negro cair em profunda depressão o levando à morte, e a reção mais consequente a formação de refúgios, os quilombos.
Os quilombos eram aldeamentos de negros que fugiam dos latifúndios, passando a viver comunitariamente. O maior e mais duradouro foi o quilombo dos Palmares, surgido em 1630 em Alagoas, estendendo-se numa área de 27 mil quilômetros quadrados até Pernambuco. Desenvolveu-se através do artesanato e do cultivo do milho, feijão, mandioca, banana e cana-de-açúcar, além do comércio com aldeias vizinhas.
Seu primeiro líder foi Ganga Zumba, substituído depois de morto por seu sobrinho Zumbi, que tornou-se a principal liderança da história de Palmares. Zumbi foi covardemente assassinado em 1695 pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, contratado por latifundiários da região.

 
"Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo - há muita gente de jenipapo ou mancha mongólica pelo Brasil - a sombra,
ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro."

Gilberto Freyre - " Casa Grande e Senzala"




Eu sou como a garça triste
"Que mora à beira do rio,
"As orvalhadas da noite
"Me fazem tremer de frio.


"Me fazem tremer de frio
"Como os juncos da lagoa;
"Feliz da araponga errante
"Que é livre, que livre voa.


"Que é livre, que livre voa
"Para as bandas do seu ninho,
"E nas braúnas à tarde
"Canta longe do caminho.


"Canta longe do caminho.
"Por onde o vaqueiro trilha,
"Se quer descansar as asas
"Tem a palmeira, a baunilha.


"Tem a palmeira, a baunilha,
"Tem o brejo, a lavadeira,
"Tem as campinas, as flores,
"Tem a relva, a trepadeira,


"Tem a relva, a trepadeira,
"Todas têm os seus amores,
"Eu não tenho mãe nem filhos,
"Nem irmão, nem lar, nem flores".


Trecho do Poema : Tragédia no Lar
Castro alves - "Poeta dos Escravos"


 Maíra Felix de Oliveira Nº44







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4 comentários:

  1. vish,esses sites deveriam ter textos mais resumidos,sei lá só acho,né galera?

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  2. Ttemos aqui, um retrato do que acorreu no nosso país, que dessas lembranças nenhuma delas, que nos seja de orgulho, senão de vergonha e remorso, mesmo assim passados mais de 500 anos de história, ainda não nos distanciamos desse escravismo, ainda que disfarçado entre as sociedades. é tempo de lutar pelos nossos direitos, O Brasil é muito maior do que os que imaginam que podem nos dominar, a força está nas nossas mentes, nossa fé está em DEUS.

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  3. Meu Deus, era melhor nem comentar Juliano!!! Com uma história tão pesarosa como a dos negros...era melhor nem comentar...aff

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